sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Momento para reflectir

Passava o 72º minuto de jogo em Alvalade, quando Maniche tem um atitude inexplicável e agride, aos olhos de todos, o jogador do Vitória de Guimarães, Rui Miguel.

Embora o Sporting estivesse claramente a perder fulgor nesta fase, muito por culpa da quebra dos dois homens do meio campo leonino (Maniche e André Santos), a equipa tinha o jogo controlado e o Vitória parecia não ter armas para, se quer, chegar à baliza de Rui Patrício.

No entanto, depois da expulsão de Maniche, o que até então estava a ser uma das exibições mais bem conseguidas da época leonina, virou um verdadeiro pesadelo. O Sporting não foi mais capaz de ter bola e sofreu três golos em 10 minutos. Perderam-se três pontos, perdeu-se a oportunidade de alcançar o segundo lugar e, quem sabe, perdeu-se também o que restava de crença no Sporting poder chegar ainda ao título nacional.

Será justo culpar só Maniche? Na minha opinião, apesar de ter faltado claramente aos dez que restaram a capacidade para controlar a ansiedade e defender a baliza de Rui Patrício, a expulsão de Maniche foi o momento crítico do jogo. Assim, tratando-se um dos jogadores mais experientes da equipa, será sobre ele que deverão recair as responsabilidades desta derrota.

No entanto, mais do que apenas criticar, considero que este deverá ser um momento de profunda reflexão. Para Maniche, sobre o que se passou e o que nunca mais se poderá repetir. Para Paulo Sérgio, sobre a forma como a equipa reagiu à expulsão (e como já tinha reagido a meio da semana frente ao Gent). Para os responsáveis leoninos, sobre que atitude tomar em relação a Maniche.

Depois de assisitir ao vivo a uma das mais crueís derrotas do Sporting, também eu passei essa noite a reflectir. Sinceramente, penso que a atitude certa (tendo em conta o momento) será chamar Maniche à razão e puni-lo financeiramente. Ao tirar Maniche de campo (para além dos dois jogos de castigo impostos pela Liga), o Sporting terá que jogar com o meio campo fraco que se forma quando Zapater e André Santos actuam ao mesmo tempo. E nesta altura, isso pode tornar a situação ainda mais critica.

Amanhã há mais um jogo importantíssimo (e dificílimo) para os leões em Coimbra, resta saber se a reflexão foi feita e se conseguiremos reagir... Quero acreditar que sim. SL

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O Jogador do Povo

Ontem foi um dia histórico para um dos principais símbolos do Benfica dos últimos anos. Dia triste, pois provavelmente não iremos ver mais no relvado do Estádio da Luz, o sorriso e os malabarismos de Pedro Manuel Torres, simplesmente Mantorras no mundo do Futebol.

Pedro Mantorras chegou ao Benfica em 2001, depois de uma época fantástica no Alverca. Com apenas 19 anos, o número 9 encarnado mostrou o potencial e o talento que lhe valeram o título de “o novo Eusébio”. Pedro Mantorras revelou ser o jogador mais importante da equipa encarnada da altura, tendo conquistado igualmente o título de melhor marcador do conjunto na sua época de estreia. Mantorras estava no auge da sua carreira. Jogava com uma alegria contagiante e a sua força e técnica deixavam companheiros e adversários completamente perplexos. Era referenciado pelos colossos europeus e Luís Filipe Vieira (na altura director desportivo) pedia 18 milhões de contos (90 milhões de euros!) pelo seu passe. No entanto, uma grave lesão no joelho do jovem angolano mudou a vida de Mantorras. Dores atrás de dores, fizeram com a magia indomável do jovem angolano nunca mais fosse a mesma.

Nos últimos anos a presença de Mantorras em campo tem-se resumido a escassos minutos. No entanto, são os mais empolgantes de todo o jogo! Não só pelo entusiasmo que o Palanca transmite ao jogo, mas também porque a sua simples entrada em campo leva os benfiquistas a uma explosão de alegria e de exultação do grande carinho que nutrem pelo seu número 9. Mantorras teve sempre esta capacidade. Jogador humilde, sincero e simples. Sem rodeios, sem vedetismos e com muita vontade. Vontade de ajudar, vontade de vencer! E isto os adeptos benfiquistas jamais esquecerão.

Recordo o título de 2004/2005, onde Mantorras foi crucial, marcando 5 golos importantíssimos, todos eles, nos últimos minutos dos jogos. Não jogou muito mas jogou bem. Mostrou o orgulho que é vestir esta camisola encarnada!

Por tudo isto, não queria passar este momento sem agradecer ao grande fenómeno chamado Mantorras. Obrigado Pedro. Adeus campeão.