sexta-feira, 30 de julho de 2010

O futuro de Alvalade

O Sporting lança-se nesta nova época cheio de esperança. Esperança em esquecer rapidamente os desaires da época transacta; esperança na capacidade da nova equipa técnica em motivar um plantel que pecou na época passada por falta de ideias, dinamismo e velocidade; esperança que o dirigismo do “Ministro” Costinha traga maior tranquilidade ao plantel e apazigúe a relação com jornalistas, adeptos e sócios. Esta é a esperança leonina para a nova época! Será suficiente para lograr na nova época?!
Não. E porquê? Analisemos a situação do Sporting.

Nestes casos confesso que gosto de fazer uso do meu background em Gestão para estruturar o meu raciocínio. E, adoptando esta lógica, pergunto-me quais os factores críticos de sucesso para um clube de futebol? A resposta, como não poderia deixar de ser, é simples: estabilidade e qualidade.

Estabilidade. Estabilidade transversal a toda a organização, desde a estratégia definida pela direcção, passando pelas rotinas criadas em campo pelos jogadores, até ao relacionamento com os adeptos. Analisando o Sporting nesta perspectiva, não encontro estabilidade em nenhuma das três vertentes.
A direcção de Bettencourt é semi-presente. O presidente tem pecado pela falta de timing: quando deve prestar declarações não o faz e quando o faz não o devia fazer. É o dilema “à la Bettencourt”…Costinha também não se tem revelado muito feliz na sua vertente de Director Desportivo. Aliás, Costinha tem sido o principal responsável pela falta de estabilidade no Sporting. O ministro quis mostrar serviço e quis chamar a si a responsabilidade de gerir o plantel leonino. Enganou-se, disparou críticas de forma descontrolada para fora não vendo que os reais problemas estavam dentro do Sporting. Foi o perfeito exemplo do locus de controlo externo, e agora terá que se redimir. Primeiro, porque os adeptos ainda não lhe reconhecem a legitimidade para ser Director Desportivo do Sporting, segundo, porque ninguém se esquece da sua costela “azul”.

Relativamente às rotinas em campo, Paulo Sérgio será chamado à responsabilidade. É dele a árdua tarefa de montar um meio-campo sem Moutinho e Veloso. É dele a árdua tarefa de criar dinamismo no meio-campo espasmódico que o Sporting teve na época passada. O futuro não se adivinha fácil mas o futebol é feito de desafios.
O relacionamento com os adeptos também já vislumbrou melhores dias. A perda do capitão deixou grande mágoa entre os adeptos. Mas os adeptos são fáceis de conquistar, basta apenas ganhar! Quando ganham são os melhores, quando perdem são os piores. É esta a verdadeira realidade do futebol. Duro, sim. Legítimo, também.

Qualidade. Ganhar campeonatos implica qualidade. Ganhar um jogo pode ser sorte, mas ganhar sistematicamente implica qualidade. E é esta a principal incógnita no Sporting 2010/2011. Quando José Mourinho, enquanto treinador do F.C. Porto, afirmou peremptoriamente que seria campeão independentemente das condições normais ou anormais que encontraria, causando grande surpresa e fazendo correr muita tinta nos jornais, ele sabia que o seu plantel tinha qualidade. Terá o Sporting sem Moutinho e Veloso, as suas duas principais referências no meio-campo, a qualidade necessária para vencer sistematicamente as equipas adversárias? Não creio, e o tempo assim o dirá.

E é pela falta destes dois princípios que eu digo que o Sporting 2010/2011 começa mal. Esta pré-época trouxe-nos um Sporting mais focado em realizar maiores encaixes financeiros (não dizendo com isto que a transferência de João Moutinho foi um bom negócio para o Sporting, independentemente do potencial de Nuno André Coelho) do que potenciar a sua competitividade desportiva. Ou seja, hipoteca-se a competitividade desportiva para fazer face às hipotecas existentes sobre o património leonino. Esta situação torna-se insustentável na medida em que o futebol vive de vitórias. Sem sucessos no campo não há alienação de património que sustente um clube. Faltarão as alegrias que trazem adeptos aos estádios, faltarão os sócios que ecoem o sentimento de dizer: Eu sou do Sporting!

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