quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Um leão mais motivado ao ritmo da Cueca Chilena

Depois de um ciclo de dez meses, começado por Paulo Bento e acabado por Carlos Carvalhal, de um futebol desesperante e uma desmotivação incompreensível, o Sporting deu inicio a uma nova era. Uma era com novos métodos, novos recursos e duas apostas muito fortes, Costinha e Paulo Sérgio. Dois homens que, com o apoio de José Eduardo Bettencourt, terão que contornar uma forte limitação de recursos financeiros e uma enorme crise de militância e descrença dos adeptos, e recuperar a glória de um dos mais importantes clubes de Portugal.
Muito haveria para escrever sobre a gestão e o futuro do Sporting, no entanto, o objectivo desta primeira crónica é analisar a pré-época leonina e perceber o que poderemos esperar do Sporting versão 2010/2011.

A pré-época do Sporting permite-nos tirar algumas conclusões importantes:
(1) João Moutinho e Miguel Veloso, dois jogadores muito importantes no ciclo de 4 anos de Paulo Bento, perderiam relevância num plantel com os experientes Pedro Mendes e Maniche; (2) Vukcevic parece estar recuperado e motivado (é a primeira vitória de Paulo Sérgio); (3) Valdés é sem dúvida um grande reforço e vai trazer muita qualidade, não só ao Sporting mas também ao campeonato português; (4) Existem mais soluções e qualidade no plantel do Sporting, mas sobretudo, existe mais organização e motivação.

No entanto, aos olhos de mais um treinador de bancada, há ainda muito que trabalhar e algumas alterações a fazer: Na defesa, o Sporting não pode continuar com a dupla que mais golos sofreu na época transacta. Pela sua altura, força e rapidez, mas também, pelas boas indicações que tem dado, Nuno André Coelho parece merecer uma oportunidade de jogar ao lado do capitão Daniel Carriço.
No meio campo, Valdés tem que entrar para o lugar de Yannick. O chileno tem mostrado uma capacidade técnica fora do comum e não tem medo de ter a bola nos pés, de enfrentar o adversário e de rematar à baliza. Quanto a Yannick, só a espaços tem conseguido mostrar as capacidades técnicas que faziam Bölöni acreditar que o diamante mais bruto da Academia estaria encontrado.
No ataque, enquanto não houver o parceiro certo para o Levezinho, o Sporting deve jogar em 4x3x3 e aí, entra Matías Fernandez. Um jogador com um potencial enorme e com uma técnica estrondosa, mas que ainda não mostrou a garra dos grandes guerreiros latinos. No entanto, numa táctica onde as suas tarefas defensivas seriam menos exigentes, ao contrário do losango de Paulo Bento, Matías poderia assumir um papel fundamental na manobra ofensiva dos leões. Juntamente com Valdés, tornariam o meio campo leonino tão irreverente e criativo como a ‘cueca chilena’, a dança mais tradicional do Chile.
Por fim, na baliza está o maior dilema da equipa do Sporting. Se por um lado, faz sentido continuar a apostar na evolução do talentoso, mas irregular, Rui Patrício, por outro lado, existe o fantástico Stojkovic mas com um problema de profissionalismo que ninguém ainda soube explicar. No entanto, uma coisa é certa, tal como Vukcevic, Stojkovic pode trazer coisas importantes ao Sporting: não só é uma óptima solução para a baliza, como também, uma forte concorrência para Rui Patrício, que lhe exija um esforço maior e lhe permita evoluir e crescer como guarda-redes do Sporting. É um caso que Paulo Sérgio e a sua equipa terão que (rapidamente) resolver.

Se rapidamente Valdés e Matías Fernandez entrarão no 11 do Sporting, o caso de Nuno André Coelho e Stojkovic pode ser mais demorado. Por isso, acredito que o Sporting só estará na máxima força lá para meio de Setembro. No entanto, mesmo partido sem as mesmas armas, acredito que o Sporting poderá ganhar a qualquer equipa e fazer frente ao Benfica, ao Porto e aos heróis de Braga.

5 comentários:

  1. Penso que te estás a confundir um pouco. O Nuno André Coelho não é isso tudo que tu pintas. Parece que estás a descrever o Luisão ou assim.

    E desconfio que se o Liedson jogar sozinho no ataque leonino, o Sporting não irá a lugar nenhum. Imagina só o Levezinho ter de jogar contra o David Luiz e o Luisão sem um companheiro de ataque. Complicado não achas?

    E o Valdés foi aquele que desceu de divisão ou estarei enganado? Até o treinador Chileno preferiu levar o Rodrigo Tello (lembras-te dele?) ao Mundial do que o Valdés.

    Espera-te mais uma época brilhante. Abraço de um campeão.

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  2. Quanto ao Liedson, eu também acho que deve jogar acompanhado. No entanto, ainda não encontrada a melhor companhia, a solução deve passar pela entrada do Matías (a meu ver claro).

    Quanto ao Valdés, só te quero recordar a situação do Aimar. Também desceu de divisão no Saragoça e também não foi o escolhido para a Argentina. Abr do futuro campeão

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  3. Duas coisas que quero comentar dessa tua afirmação. A primeira é a que estás a dar valor e importância (como ele merece!) ao número 10 do Benfica. Felicito-te por isso.

    A segundo é que comparar Pablo Aimar com Nelson Valdés parece-me completamente descabido. Se o Saragoça desceu de divisão foi muito devido à época atribulada em termos físicos de Pablito.
    Concordarás comigo se Aimar estivesse na forma que está actualmente o Saragoça teria tido outro desempenho.

    E comparar o ataque Argentino com o Chileno aí, mais do que descabido, soa-me anedótico. O que seria de Matias se Aimar fosse Chileno?

    Um abraço do futuro bi-campeão.

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  4. Lapso: Valdés, de seu nome Jaime e não Nelson.

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  5. Sporting... será sempre o Sporting!
    Até ao Natal é uma caixa de surpresas, depois do Natal acabou a época.
    Mas pode ser q este ano marquem a diferença... não como campeões, mas como em 2º lugar na tabela!

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